A Quinta de Arcossó incorpora um projecto vitivinícola na região de Trás-os-Montes, Sub-Região de Chaves, que procura transformar vinho ancestral de camponeses em vinho de excelência, bem como servir de paradigma e de referência numa região com potencial mas completamente sub-aproveitada em termos vitícolas. Na busca dessa excelência foi determinante o conhecimento acumulado acerca da qualidade das uvas e do vinho obtido secularmente pelas famílias Pizarro e Montalvão Machado da parcela onde se encontra instalada a vinha que dá actualmente origem aos vinhos Quinta de Arcossó. Aliás, esta parcela da Quinta de Arcossó está inserida no coração da micro-região da Ribeira de Oura, a qual tem fortes tradições vitícolas desde a ocupação romana, como são prova disso os vários lagares dessa época existentes nas encostas pendentes ao rio Tâmega e seus afluentes, bem como as referências constantes na obra de Estrabão, grande geógrafo do império romano, e particularmente de escritos dos séculos XVIII e XIX. Por sua vez, estando convictos que a excelência de um vinho resulta, em grande medida, de uma capitalização perfeita entre a componente associada à natureza, designadamente, o solo e o clima, e a associada ao homem. Foi esta convicção que levou Amílcar Salgado, o proprietário da Quinta de Arcossó, um filho da terra e bem conhecedor das suas terras a durante dois anos encetar diligências tendentes à aquisição da já referida parcela que constitui a actual Quinta de Arcossó, a qual se encontrava abandonada do ponto de vista vitícola desde 1987. Após a sua aquisição em 2001, iniciou um projecto de reestruturação que culminou com a plantação de 12 hectares de vinha no ano de 2003 sob a orientação do Eng.º Rui Xavier Soares, o qual obedeceu a um vincado compromisso entre o conhecimento ancestral da parcela para produzir uvas da mais alta qualidade e o dos novos processos de viticultura.
Foi em 2005 que a primeira vindima foi efectuada e a primeira vinificação de vinhos Quinta de Arcossó sob a orientação do enólogo Francisco Montenegro. Cujos resultados do primeiro vinho, quer em termos qualitativos, quer em termos de aceitabilidade por parte dos consumidores, foram muito superiores ao esperado. Em 2008, mais conhecedores da parcela e dos novos processos de vinificação aplicados durante 3 vindimas, e na busca permanente da excelência, a Quinta de Arcossó decide elaborar um vinho que pretende ser o topo de gama da sua produção. Esse vinho foi vinificado com desengace totalmente manual (escolha bago a bago). Efectuou a maceração pelicular a baixa temperatura, bem como a fermentação alcoólica em barricas novas de carvalho com capacidade de 400 litros e não sofreu qualquer processo de bombagem ou remontagem mecânico. Amílcar Salgado confessa-se na procura permanente da qualidade e no respeito pelo conhecimento acumulado na região, “esmeramos a viticultura da parcela e mantemos na adega a concentração e o palato das uvas, para que a aceitabilidade do vinho ultrapasse o mercado local e permita que aqueles que se encontram distantes ou não conheçam, possam saborear a região mesmo que não venham junto dela. E isto já acontece, até porque já Quinta de Arcossó já exporta cerca de 15% dos vinhos que vende.
Actualmente a Quinta de Arcossó dispõe de duas marcas no mercado: Quinta de Arcossó e Padrão dos Povos. A primeira incorpora os melhores lotes e quer o vinho tinto, quer o vinho branco passam por estágio em barricas de madeira de carvalho francês e carvalho americano, ou seja, obedecem a um tratamento mais fino e requintado em cave. Nesta marca dispõe no mercado de um vinho branco e tinto colheita, de um tinto reserva e de um rose. A marca Padrão dos Povos é composta por um vinho tinto e um vinho branco colheita. Trata-se de um vinho mais simples e menos ambicioso, mas que pretende ser uma homenagem à região de Chaves com muita acessibilidade a todos aqueles que pretendam apreciar com exigência um bom vinho de excelente relação qualidade preço. Mas na adega da Quinta de Arcossó já há novos vinhos a lançar brevemente no mercado. Com a marca Quinta de Arcossó um Reserva branco para o Natal, um syrah (tinto) para meados de 2010 (colheita de 2007) e aquele que pretende ser o topo de gama, cujo processo de elaboração foi totalmente artesanal, mas que ainda não tem data de lançamento nem designação, mas muitos daqueles que já o provaram efetivaram reservas.